Desde meados do século XIV foram erguidas torres de relógio nas principais cidades do reino. A de Santarém foi construida a meio do século XV e foi classificada como Monumento Nacional em 1928.
Originalmente existiam apenas quatro cabaças, enquanto as restantes foram colocadas em 1933, quando o edifício sofreu obras de restauro. Serviam sobretudo de caixa de ressonância, ajudando a expandir o toque do sino do relógio ao bater das horas, espalhando o som em várias direcções. Desta forma chegaria facilmente aos campos em redor de Santarém, onde a população rural trabalhava.
Conta uma anedota popular do século XVIII que, em deslocação a Santarém, o rei D.Manuel I (1495-1521) indagou se era necessário alguma obra importante, tendo sido informado que não existia qualquer torre de relógio. Após ter sido dada ordem aos vereadores da vila para avançarem, o monarca regressou quando a obra foi concluída. No cimo da torre deparou com um sino suportado por varões metálicos e terá mandado colocar sete cabaças de barro, representando as cabeças ocas do senado santareno, que passou a ser conhecido por senado cabaceiro.
A ironia resistiu ao tempo e hoje é assim que é conhecido o mais emblemático dos edifícios de Santarém, com os seus 32 metros de altura. Desde os anos 90 acolhe o Núcleo Museológico do Tempo, onde se encontram em exposição as principais etapas da pesquisa humana sobre o tempo.
CQ
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Uma das lendas da criação de Santarém aponta uma criança abandonada à nascença como o fundador da cidade
A história da fundação da cidade, compilada no século III pelo historiador romano Justino, indica a existência de uma criança desamparada que teria sido alimentada por uma cerva. Mais tarde acabaria por chegar a rei dos Tartessos, trazendo a toda a região progresso, paz e justiça.
No entanto, alguns objectos recolhidos em escavações realizadas ao longo dos últimos anos, mostram que a ocupação humana remonta, pelo menos, a cinco mil anos antes de Cristo. Terá sido por essa altura que se começou a desenvolver a agricultura, sobretudo nos terrenos ribeirinhos, sendo apontado como exemplo disso, a descoberta de um vaso neolítico, encontrado no monte de S.Bento, ainda no século XIX.
No entanto, alguns objectos recolhidos em escavações realizadas ao longo dos últimos anos, mostram que a ocupação humana remonta, pelo menos, a cinco mil anos antes de Cristo. Terá sido por essa altura que se começou a desenvolver a agricultura, sobretudo nos terrenos ribeirinhos, sendo apontado como exemplo disso, a descoberta de um vaso neolítico, encontrado no monte de S.Bento, ainda no século XIX.
Santarém foi uma das mais importantes cidades da Lusitânia e capital de uma das principais regiões administrativas criadas por Roma
Roma conquistou militarmente a Península Ibérica durante o século II antes de Cristo, substituindo Cartago na administração da região. Datam desta época os primeiros vestígios da presença romana em Móron, altura em que aqui se terão instalado as primeiras tropas romanas.
A ocupação romana alterou por completo o modo de vida das populações e o urbanismo local, que passou a ser redesenhado segundo os modelos impostos por Roma. Por volta do ano 30 antes de Cristo, a povoação de Scallabis alcançou uma maior importância e acabou por se tornar a capital de um dos três conventus (ou distritos) da Lusitânia, sendo atravessado por duas das principais vias de comunicação que cruzavam o território nacional.
Toda esta região sofreu a influência de povos mediterrâneos, a partir da Idade do Ferro, em particular da civilização Fenícia, originária do médio oriente no local onde hoje se situa a faixa sírio-palestiniana. Apostando fortemente no comércio marítimo, os fenícios fundaram, em apenas três séculos, diversos entrepostos comerciais ao longo de toda a costa mediterrânea.
A ocupação romana alterou por completo o modo de vida das populações e o urbanismo local, que passou a ser redesenhado segundo os modelos impostos por Roma. Por volta do ano 30 antes de Cristo, a povoação de Scallabis alcançou uma maior importância e acabou por se tornar a capital de um dos três conventus (ou distritos) da Lusitânia, sendo atravessado por duas das principais vias de comunicação que cruzavam o território nacional.
Toda esta região sofreu a influência de povos mediterrâneos, a partir da Idade do Ferro, em particular da civilização Fenícia, originária do médio oriente no local onde hoje se situa a faixa sírio-palestiniana. Apostando fortemente no comércio marítimo, os fenícios fundaram, em apenas três séculos, diversos entrepostos comerciais ao longo de toda a costa mediterrânea.
O templo romano mais antigo do país foi descoberto em Santarém
Roma ergueu vários edifícios no planalto da alcáçova, mas somente o templo romano de Scallabis, construído no século I antes de Cristo, chegou até aos nossos dias, embora apenas tenham resistido o podium e a parte da cella. Classificado como Monumento Nacional desde 1995, é o achado romano mais antigo no país, permitindo seguir, desde o início, a presença romana na Península Ibérica.
Inserido em zona urbana, dentro da muralha medieval, o templo foi encontrado durante as obras de recuperação do jardim da Casa da Alcáçova, nas Portas do Sol, um empreendimento de turismo de habitação que chegou a estar em risco devido a esta descoberta.
O templo, de planta quadrangular, tem uma altura máxima de quatro metros, e no centro da plataforma foi construída uma cisterna, entre os séculos XII e XIII, além de ter ainda sido edificado um picadeiro, no final do século XIX.
Os primeiros vestígios da ocupação romana em Móron datam de 139 antes de Cristo. Alguns anos mais tarde foi criado, em local por identificar, um acampamento fortificado (praesidium), que deu origem à cidade (civitas) de Scallabis. O papel militar desta colónia manteve-se até às invasões dos alanos e dos vândalos, por volta do século V depois de Cristo. Carlos Quintino
Inserido em zona urbana, dentro da muralha medieval, o templo foi encontrado durante as obras de recuperação do jardim da Casa da Alcáçova, nas Portas do Sol, um empreendimento de turismo de habitação que chegou a estar em risco devido a esta descoberta.
O templo, de planta quadrangular, tem uma altura máxima de quatro metros, e no centro da plataforma foi construída uma cisterna, entre os séculos XII e XIII, além de ter ainda sido edificado um picadeiro, no final do século XIX.
Os primeiros vestígios da ocupação romana em Móron datam de 139 antes de Cristo. Alguns anos mais tarde foi criado, em local por identificar, um acampamento fortificado (praesidium), que deu origem à cidade (civitas) de Scallabis. O papel militar desta colónia manteve-se até às invasões dos alanos e dos vândalos, por volta do século V depois de Cristo. Carlos Quintino
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Móron foi o primeiro nome documentado para designar o planalto onde se ergueu a cidade de Santarém
Enquanto a maioria da população associa Scallabis à designação ancestral da cidade, o nome Móron foi igualmente usado desde os primórdios da ocupação humana. Ambas as denominações derivam da influência fenícia, o que explica os antigos topónimos pelos quais Santarém foi outrora conhecida.Com uma posição natural de enorme importância estratégica, dominando uma vasta área do vale em redor, o planalto de Santarém permitia controlar quem subia ou descia o rio. Esta singular posição geográfica terá sido uma das principais razões que levaram diferentes povos a instalarem-se nesta região, inicialmente apenas na zona conhecida como Alcaçova, que corresponde actualmente ao Jardim das Portas de Sol.
O historiador grego Estrabão localiza Móron num monte junto ao rio, a cerca de 90 quilómetros do mar. Enquanto esta palavra deriva da expressão fenícia para “local elevado”, os romanos que aqui chegaram dois séculos antes de Cristo, chamaram ao povoado Scallabis, designação que se terá baseado em duas palavras siríacas: “remover” e “antepassado”, dando assim início a uma nova era sob a administração romana da Península Ibérica.
Dieta Mediterrânica já é Património da Humanidade, mas sem Portugal
A Dieta Mediterrânica é desde Novembro de 2010 Património Imaterial da Humanidade, um reconhecimento que chega através da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A atribuição parte de uma candidatura conjunta apresentada pela Espanha, Itália, Grécia e Marrocos. Um processo que não contou com a participação portuguesa. Especialistas no fenómeno alimentar falam em «exclusão» e «oportunidade perdida» para o nosso país.
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